“A guerra significa algo diferente para nós que já olhamos através da mira de rifle apontado para outro ser humano, para aqueles que viram uma menina de 9 anos ser atingida por fogo cruzado. Estou comentando somente uma fração do que ainda me atormenta em relação a minha experiência no Iraque”, diz um soldado que serviu como médico em 2004 e escreveu o seu depoimento num site de veteranos.
A nossa falta de atenção e compreensão com os traumas de guerra pode vir da dificuldade que temos para entender o que se passa na mente das vítimas. Claramente é possível imaginar uma vez que os traumas e desastres fazem parte da experiência do ser humano – a evolução nos dotou com habilidade nata de adaptação a ambientes e circunstâncias variáveis. Estatisticamente, 50% de nós sobrevive a pelo menos um evento traumático ao longo da vida. E, após um trauma, o normal é continuar revivendo o episódio na memória: é a maneira que o cérebro tem de processar e aprender com o stress para depois prosseguir com sua programação normal.
Cada vez que as situações são revividas, o indivíduo fica mentalmente e fisicamente exausto. A ansiedade e frustrações aumentam e gradualmente a pessoa vai perdendo o controle. A vítima começa a organizar a sua vida em torno do trauma. O seu trabalho, as suas relações familiares e também a sua saúde começam a ser afetadas.
Em conjunto, a literatura sugere que há taxas mais baixas de PTSD em idosos em comparação com adultos mais jovens. Fatores de resiliência e recuperação bem-sucedida de sintomatologia prévia são algumas possíveis explicações para as diferenças de idade, embora essas variáveis não expliquem as menores taxas de PTSD ao longo da vida em idosos. Dito isto, há evidências de um ressurgimento de sintomas de PTSD no final da vida para alguns adultos mais velhos.